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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Argumentação: Só aperte "enviar" quando tiver certeza!


Das aulas de Teoria da Comunicação, lembro bastante dos debate fervorosos sobre elementos da comunicação, em detrimento a realidade de uma sociedade da informação. Num desses papos, me recordo de ter levantado a questão da superficialidade dos julgamentos feitos nas mídias digitais, de rápido fluxo e alcance, como o microblog Twitter, por exemplo.

Na época, o assunto em evidência era a polêmica repercussão da campanha da AREZZO, que lançou uma coleção de peças com peles de animais, e em poucas horas se transformou numa forte comoção negativa em torno da marca, principalmente na internet. A crise transformou-se num case coringa, sendo apresentado incessantemente em aulas, palestras, etc.

Entretanto, o aspecto que mais me chamou atenção passa longe do senso de responsabilidade ecológica ou social, por parte da marca ou de seus usuários. Nesse caso, e em tantos outros, o que me impressiona é como as pessoas, na maioria das vezes, não se aprofundam nas questões debatidas, e tomam partido sem, ao menos, saberem o que de fato estão reivindicando.

De fato, em meio a tantas discussões sobre sustentabilidade, ecologia e proteção ao meio ambiente o lançamento de uma coleção como tal, vinda de uma marca que sempre produziu peças com couro sintético, foi no mínimo imprudente. Mas, sejamos francos, quantos dos que questionaram a marca, dizendo inclusive que jamais voltariam a comprá-la, são de fato, engajados em questões ambientalistas? Será que deixaram mesmo de comprar mesmo a marca? E mais, se questionados hoje sobre tal ativismo, será que ainda lembrariam do fato?


Um artigo, escrito originalmente em 2008, pelo autor e programador inglês Paul Graham,  faz contundentes provocação sobre essa abertura de expressão que o cyberespaço possibilitou. "A internet se transformou em escrita", disse o autor. De fato, os fóruns, listas de discussões e comentários em blogs - antes mesmo da ascensão das redes digitais - possibilitaram uma abertura de expressão, nunca jamais vista. Mas qual seria a relevância destes argumentos?

A partir do artigo de Graham, o professor de língua portuguesa André Gonzola, autor do blog Lendo.org, desenvolveu um gráfico que expõe os diferentes níveis de relevância da argumentação, desde ataques sem fundamentos na base da pirâmide, até o topo, com provocações, fundamentadas em razões incontestáveis, que confrontam as afirmações de outrem.


Para nós, pré ou já, jornalistas a importância de bons argumentos chega a ser tão fundamental quanto a importância da apuração. Descordar, protestar, apoiar, criticar são algumas das atividades que estarão constantemente no nosso dia a dia, assim com a responsabilidade de realizá-la. 

Reflita e argumente!

2 comentários:

Ricardo Welbert disse...

Muito boa reflexão, Juh Barreto! Adorei o texto e a pirâmide. A propósito, este exemplo da Arezzo já é clássico. Também foi motivo de muita polêmica em pelo menos três das minhas aulas de Teorias da Comunicação.

Juh Barreto disse...

Olá Ricardo!
Obrigada pelo comentário.
Acho muito válido esse tipo de discussão em sala de aula, principalmente quando surgem bons argumentos. :)
Volte sempre!
Bj
@JuhBarreto

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