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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

desEncontros da crítica com Fátima Bernardes


O desafio da superação é sempre maior do que o da conquista. Que o diga Fátima Bernardes que após estrear seu “Encontro”, em 25 de junho, passou a ser figurinha fácil nas notinhas e artigos da crítica. 


Confesso que não assisti ao programa de estréia, e das duas vezes que consegui vê-lo, ainda na primeira semana, também achei que alguma coisa estava fora do lugar, tentando se encontrar. Normal, se levarmos em consideração que se tratava de um novo projeto, uma nova equipe, em plena fase de integração. Mas, BEM anormal pra quem achou que encontraria uma Oprah brasileira, com desenvoltura de Ana Hickmann, carisma de Xuxa, experiência de Hebe, humor da Sabrina Sato, seriedade de Marília Gabriela e sabe-se lá mais o quê. (Atenção: Exemplos meramente ilustrativos)

Entretanto, agora, perto de completar 2 meses de programa as notícias parecem ser um pouco mais racionais. Portais, blogs, revistas e jornais dão conta do crescimento da audiência, da aceitação do público e de uma progressiva evolução do programa, e da apresentadora.

 Ah, sério???

Será que todo mundo precisou de 2 meses pra entender que ninguém nasce pronto (nem baiano. Isso é lenda), muito menos a Fátima que por ser Bernardes pagou o preço de não vir pronta, programada para dar ibope, com ou sem bancada???

E a pergunta que não quer calar: será que as boas notícias se devem ao programa que se encontrou, ou aos críticos que se perderam antecipadamente, em meio às suas ásperas alfinetadas, em busca de views e vendas?

Tenho cá minhas dúvidas!


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A internet e seus super poderes


No começo deste ano, publiquei minha primeira resenha de leitura. Tentei – de forma despretensiosa - mostrar minhas impressões a cerca do livro “Dicas de Telejornalismo”, do jornalista e repórter Flávio Fachel. No entanto, jamais imaginaria que a publicação pudesse gerar algum tipo de repercussão, quiçá um feedback direto.

Já no início de agosto, participei de um evento de empreendedorismo, que reuniu em João Pessoa, palestrantes de diferentes estados do Brasil. Durante o evento fiz pouquíssimos contatos, mas depois de publicar aqui no blog uma resenha sobre a experiência me surpreendi com o número de contatos que me adicionaram no Facebook ou comentaram aqui no blog, a exemplo do palestrante Ricardo Veríssimo, do Rio de Janeiro e o pessoal do "Papo Universitário", um portal criado por empreendedores (e universitários) de Maceió e Recife.

Inconscientemente, subestimei o alcance da internet e acabei levando um susto quando, em menos de 24 horas, minha resenha recebeu o comentário do próprio autor do livro (o jornalista lamentou o meu descontentamento com a obra e me propôs o reembolso do valor investido). E fui convidada a colaborar com  o portal "Papo Universitário", na produção de conteúdo. Minimizei a potencialidade da rede e fui surpreendida com o seus “super poderes”, que levaram minhas mensagens à receptores jamais previstos.

Mas, na internet, esse alcance acaba assumindo dois papéis: o de benefício e o perigo. Fico feliz que os dois cases tenham sido positivos (eu recebi o investimento do livro de volta), mas ambos os casos deixaram uma reflexão importante: ainda que de forma imperceptivelmente, estamos todos interligados e conectados, e os rastros deixados na internet precisam ser cuidadosamente avaliados, afinal, alguém vai ler.

Argumentação: Só aperte "enviar" quando tiver certeza!


Das aulas de Teoria da Comunicação, lembro bastante dos debate fervorosos sobre elementos da comunicação, em detrimento a realidade de uma sociedade da informação. Num desses papos, me recordo de ter levantado a questão da superficialidade dos julgamentos feitos nas mídias digitais, de rápido fluxo e alcance, como o microblog Twitter, por exemplo.

Na época, o assunto em evidência era a polêmica repercussão da campanha da AREZZO, que lançou uma coleção de peças com peles de animais, e em poucas horas se transformou numa forte comoção negativa em torno da marca, principalmente na internet. A crise transformou-se num case coringa, sendo apresentado incessantemente em aulas, palestras, etc.

Entretanto, o aspecto que mais me chamou atenção passa longe do senso de responsabilidade ecológica ou social, por parte da marca ou de seus usuários. Nesse caso, e em tantos outros, o que me impressiona é como as pessoas, na maioria das vezes, não se aprofundam nas questões debatidas, e tomam partido sem, ao menos, saberem o que de fato estão reivindicando.

De fato, em meio a tantas discussões sobre sustentabilidade, ecologia e proteção ao meio ambiente o lançamento de uma coleção como tal, vinda de uma marca que sempre produziu peças com couro sintético, foi no mínimo imprudente. Mas, sejamos francos, quantos dos que questionaram a marca, dizendo inclusive que jamais voltariam a comprá-la, são de fato, engajados em questões ambientalistas? Será que deixaram mesmo de comprar mesmo a marca? E mais, se questionados hoje sobre tal ativismo, será que ainda lembrariam do fato?


Um artigo, escrito originalmente em 2008, pelo autor e programador inglês Paul Graham,  faz contundentes provocação sobre essa abertura de expressão que o cyberespaço possibilitou. "A internet se transformou em escrita", disse o autor. De fato, os fóruns, listas de discussões e comentários em blogs - antes mesmo da ascensão das redes digitais - possibilitaram uma abertura de expressão, nunca jamais vista. Mas qual seria a relevância destes argumentos?

A partir do artigo de Graham, o professor de língua portuguesa André Gonzola, autor do blog Lendo.org, desenvolveu um gráfico que expõe os diferentes níveis de relevância da argumentação, desde ataques sem fundamentos na base da pirâmide, até o topo, com provocações, fundamentadas em razões incontestáveis, que confrontam as afirmações de outrem.


Para nós, pré ou já, jornalistas a importância de bons argumentos chega a ser tão fundamental quanto a importância da apuração. Descordar, protestar, apoiar, criticar são algumas das atividades que estarão constantemente no nosso dia a dia, assim com a responsabilidade de realizá-la. 

Reflita e argumente!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os números do Nissin Ourfali

Até eu me arrisquei na baleia! rs
Um personagem engraçado, com uma animação tosca e uma musiquinha que gruda na cabeça. Pronto! Nasce um hit para internet que, passando de amigo pra amigo, entre compartilhamentos e curtidas, logo se propaga, como um vírus alastrador.

O garoto de origem judaica, Nissin Ourfali, em poucas horas viu o vídeo que comemorava  seu “Bar Mitzvah” (entrada dos meninos na maioridade religiosa, algo como completar 18 anos na lei civil do Brasil. Para os meninos isso acontece quando eles completam 13 anos e para as meninas, 12 anos) num hit da internet. Os números de views surpreenderam a todos, inclusive aos pais do garoto que logo retiraram o vídeo da rede para evitar a exposição.Não adiantou muito, logo várias cópias do vídeo foram publicadas no YouTube e em uma hora foram visualizadas mais de 400 mil vezes. E os números continuam crescendo, como demostra o vídeo produzido pela agência Trianons:


Embora exista uma tendência em virais, que surgem como vídeos amadores e depois se revelam criações publicitárias, o caso "Nissin" parece mesmo ter sido um "acidente de percurso" que divertiu a rede, mas também fomentou um debate importante sobre autoexposição e fluxo de informação, que é assunto pra um próximo post!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A cultura do plágio


Texto publicado inicialmente no Papo Universitário, em 27.08.2012

Não é novidade que quase tudo que é produzido por aqui tem inspiração exterior. Os programas de tevê, os padrões jornalísticos, as produções musicais e, até mesmo, os hábitos de moda, comportamento e consumo, na sua maioria, são consequências de colagens daquilo que foi idealizado lá fora. 

Para o jornalista e professor britânico Marcus Boon, autor do livro Praise of Copy (Elogio à Cópia), ainda sem tradução no Brasil, existem diferenças objetivas entre plágio, imitação e cópia, sendo esse último diferenciado por três categorias: a cópia boa da ruim, a cópia criativa, com atitude de transformação e a cópia não-criativa, que não faz nada além de repetir, inclusive a má informação. 

Boon define o plágio como sendo algo apresentado como original, com a explicita intenção de que receptor não saiba que aquilo é uma cópia. Trata-se de um fenômeno antigo, que já era muito comentado entre gregos e romanos. A imitação, por sua vez, é um processo universal de vários níveis, que inclui moléculas orgânicas e até culturas. Esse processo se caracteriza pela transformação de uma ideia original. Já a cópia refere-se a um modo particular de pensar sobre todo o processo de imitação.

cultura do Ctrl+C e Ctrl+V, quando indivíduos copiam outros, inevitavelmente resulta na morte da originalidade e no desaparecimento da criatividade. Na arte, casos como estes chegam a atingir o demérito, principalmente se levarmos em consideração o alto nível de criatividade do povo brasileiro. O clipe "Sou como sou", recém lançado pela cantora baiana Preta Gil, exemplifica como essa perda de originalidade pode comprometer um trabalho relevante.

A música não é ruim e a proposta é apreciável, mas o clipe traz referências explícitas e sequências claramente plagiadas de uma outra produção: Countdown, da americana Beyoncé. Seria o plágio  inconsciente ou estariam subestimando nossa memória? Seria uma homenagem, uma crítica ou não existiria outra forma de inspirar-se sem propriamente copiar?

Tirem suas próprias conclusões. O fato é que, seja na arte, na vida ou na acadêmia, o plágio é rigorosamente condenável, por ferir padrões éticos, ser crime previsto no código penal e desvirtuar o propósito da inteligência. Já que sempre é possível criar algo, verdadeiramente, novo. E se me permitem uma paródia, "nós já fomos mais criativos", como encerraria Carlos Nascimento.